Demissão de Brendan Rodgers provoca ataque público do acionista Dermot Desmond e devolve Martin O’Neill ao banco do Celtic
Glasgow (Escócia) – O Celtic anunciou nesta segunda-feira, por meio de um comunicado de cinco parágrafos e 134 palavras, a saída imediata do técnico Brendan Rodgers. Quinze minutos depois, o principal acionista do clube, Dermot Desmond, publicou uma carta de 551 palavras em tom de forte reprovação ao treinador, acusando-o de divulgar “inverdades”, criar divisões internas e contribuir para um “ambiente tóxico” na instituição.
Desmond, que havia convencido Rodgers a assumir o Celtic em 2016 e novamente após a ida de Ange Postecoglou para o Tottenham, qualificou a postura do técnico como “inaceitável” e apontou que declarações públicas do irlandês alimentaram hostilidade contra membros da diretoria e suas famílias.
Martin O’Neill retorna duas décadas depois
No mesmo pacote de decisões, o clube confirmou a volta de Martin O’Neill ao comando da equipe, 20 anos após sua primeira passagem. O irlandês, afastado dos gramados e dedicado a palestras nos últimos anos, assume o cargo de forma imediata – sem prazo definido.
Ruptura após choques sobre contratações
A relação entre Rodgers e o conselho começou a se desgastar ainda na temporada passada. O treinador reclamou em várias entrevistas do ritmo “lento” nas negociações e da falta de “agilidade” do Celtic no mercado. Mesmo após investimentos recordes – 11 milhões de libras em Arne Engels, 9 milhões em Adam Idah e 6 milhões em Auston Trusty –, Rodgers pedia reforços adicionais e sugeria, publicamente, que alguns jogadores haviam sido contratados sem sua aprovação total. Idah já deixou o clube.
O atrito ganhou contornos mais graves quando, após derrota para o Dundee, Rodgers declarou: “Não se pode receber a chave de um Honda Civic e dirigir como se fosse uma Ferrari”. O comentário causou mal-estar interno e irritou torcedores.
Queda de desempenho e clima insustentável
A eliminação precoce na Liga dos Campeões, resultados irregulares no Campeonato Escocês e o revés do fim de semana para o Hearts – que deixou o time oito pontos atrás da equipe dirigida por Derek McInnes – aceleraram a crise. Embora Rodgers afirmasse, no domingo, “nunca ter estado tão determinado” a corrigir o rumo, a confiança mútua já estava abalada.
Imagem: bbc.com
Desmond, conhecido por atuar nos bastidores e raramente se pronunciar em público, rompeu o hábito e expôs as divergências. A atitude surpreendeu acionistas e torcedores, acostumados ao silêncio do investidor, que costuma delegar ao filho, Ross Desmond, a representação nas assembleias.
Sem acordo possível, a saída de Rodgers encerra sua segunda passagem pelo Celtic. O irlandês, que conquistou títulos e reconquistou parte da torcida desde 2023, deverá apresentar sua versão dos fatos em breve, mas não terá oportunidade de despedida oficial do clube.
Com informações de BBC Sport
